Eu, se tivesse fome e estivesse desvalido na rua não pediria um pão; senão que pediria meio pão e um livro. (Frederico Garcia Lorca)

E assim começo esse exercício humano de expressar-me em palavras.

Vem comigo… Esse não é um caminho que se queira trilhar sozinho. No ato de escrever há sempre o pressuposto do ato recíproco do leitor. Vem comigo… ainda que meu texto lhe pareça truncado, presunçoso, pobre de estilo, obscuro, rebuscado demais e… aborrecido demais.

Escrever é um esforço cujo resultado pode ser insosso ou desbotado ainda que se tente verter nele cores e sabores especiais, por ser acima de tudo um exercício de entrega e sedução, intelectual e de alma; e físico, no fim das contas. Animais capazes de contruir simbolismos e abstrações, de esmiuçar o complexo ou expandir o simples, somos também capazes de redimensionar a realidade infinitamente. A palavra é um bilhete de viagem sem destino definido que, conforme a disposição do viajante e a habilidade do condutor, pode ser igualmente tediosa ou excitante.

Mas, a despeito das palavras de Lorca aí no título, reconheço que nada me machuca mais que saber que ainda tem tanta gente com fome. Fome mesmo, sem metáforas. Embora concorde que a ignorância é irmã da inércia e do comodismo que faz com que tantos se submetam sem reação a uma vida de miséria. Estas são, aliás, algumas das angústias de uma professora sem sala de aula e uma quase especialista em filosofia, que pretendo compartilhar nesse blog cujo título foi inspirado no texto de Lorca, com que encerro este post inaugural:

E eu ataco desde aqui violentamente aos que somente falam de reivindicações econômicas sem nomear jamais as reivindicações culturais que é o que os povos pedem a gritos. Está bem que todos os homens comam, mas que todos os homens tenham saber. Que desfrutem todos os frutos do espírito humano porque o contrário significa convertê-los em máquinas a serviço do Estado, significa convertê-los em escravos de uma terrível organização social.

Se quiser ler o texto: http://adcefetrj.org.br/arquivos/informe_367.pdf

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